domingo, 13 de dezembro de 2009

Realidade contada em contos

Estava tudo calmo. Calmo demais.                                                                                               
Ela tocava seu violão despreocupada, e olhou o recado dele na sua agenda, aquele que lhe desejava feliz aniversário. A tristeza chegou e nada mais ficou calmo. Suas emoções estavam inquietas, pareciam pipocas em uma panela. Ela tinha duas opções: atiçar ainda mais aquele sentimento que lhe corroia por dentro, ou tomar uma atitude.                                                                       
Por mais que tivesse medo, por mais que estivesse deprimida, ela ainda era uma garota forte e decidida. Escolheu a segunda opção. Estava nervosa, ligou para ele. Atendeu:
- Nós não temos mais nada pra conversar.
- Mas eu preciso te dizer uma coisa.
- Então fale.
- Não, por telefone não. Quero te ver.
- Clara, não.
- Por favor.
- Tá, tá, tudo bem. No lugar de sempre, e seja breve.                                                       
Em meio a soluços e lembranças, pegou sua bolsa, seu violão e foi. O lugar de sempre era mais sereno do que antes, e isso trazia recordações boas, mas que naquele momento só faziam alimentar um aflição que crescia a cada segundo. Ele já estava lá, sentado no banco onde um dia, juntos, costumavam rir de bobagens. Ela se aproximou, e quando aquela aflição estava a ponto de lhe fazer desistir, ele falou:
- E aí? O que você tem a me dizer?
- É simples: eu te amo.
- Isso você já me disse antes, e não basta. Não havia amor em você quando me fez aquilo.
- Você tem razão, eu ainda não te amava ali. Foi preciso te perder para saber o que realmente sentia por você.
- Mas agora não tem mais volta. O destino já colocou outra pessoa em minha vida, que está me amando desde o início.                                                                       
Não havia mais o que fazer. Concluiu que não havia mais sentido para aquilo que chamava de vida. Compôs uma música que ninguém jamais escutaria e se matou.                                                       
Mais uma que morreu de amor.
Milton Oliveira de Santana Filho.

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